Sim, já foram noites e noites acordada esperando aquela ligação, aquele abraço, aquele sorriso, aquela frase dita com o tom certo, no momento certo. As vezes é preciso muito mais que a ansiedade, o querer e o demonstrar. Talvez querer menos, demonstrar mais. Talvez simplesmente chutar o balde e tudo o que ele representa. Parar de se reprimir por todos esses medos bobos que nos atormentam a cada manhã quando a noite anterior nos envergonham. Quando a vergonha é dada pela falta de coragem, sem eufemismos e hipocrisia, pela fraqueza e covardia.
Então amanhã, quando o sol estiver alto, lavando o seu rosto de vergonha e covardia, você jura que aquele nascer do sol representa um novo começo. Até o outro dia, e o outro, e o outro. Todos são um novo começo, que realmente nunca começou.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Sempre o mesmo.
O processo é quase sempre o mesmo, o que muda são somente as pessoas, os rostos pintados uniformemente dentro de um sonho confuso e estranho. E depois quando você acorda com o travesseiro babado e um sorriso mole no rosto, pede incansavelmente pra voltar, pra ser levada de volta pra terra de Morfeu onde tudo estava do exato modo que deveria ser.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Aperta o play.
"Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais."
Maria Rita
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais."
Maria Rita
Não, me desculpe mas eu não quero ouvir mais nada o que você tem a dizer e isso não é mais um dos meus atos de ignorância e petulância. O caso é que você me foi útil por um tempo, nós nos usamos para passar o tempo naqueles dias quentes em que o vento soprava morno e a falta de imaginação era grande demais para discutirmos assuntos maiores. Nós nos usamos também em dias frios em que a preguiça era grande demais pra sair debaixo do edredon, pra mandar parar o filme. Mas eu cansei de ver o filme, cansei de apertar o pause a cada vez que você sentia medo demais de ver qual era a próxima cena. Quero aumentar a velocidade desse drama monótono, quero transformar isso tudo numa comédia/ação/ficção e no que mais for possível. Mas nesse elenco você não foi escalado. Infelizmente o roteiro é grande e perigoso demais pra sua vida tão cautelosa.
E não se assuste se no próximo elenco você se deparar com maconheiros, putas, homossexuais e um roteiro que seria um best-seller de um filmezinho underground. Quero escandalizar, chocar e jogar fora todo aquele rótulo ridículo que um dia eu ajudei a sustentar.
Calma, não precisa se desesperar e nem me dizer que preciso de terapia, nunca falei algo tão sério em toda a minha vida. E ao mesmo tempo nunca experimentei tantas coisas maravilhosamente boas e até então desconhecidas pelo simples medo desse julgamento medíocre. Quero dizer que o meu barco está partindo sem rumo e sem volta, quero dizer que estou a procura do capitão dessa aventura e do senhor da minha direção. E enquanto isso, vou sentindo a brisa bater, e o vento levar. Quem sabe o final do filme dessa vez levante a platéia e arranque belas palmas.
terça-feira, 6 de abril de 2010
(So)litude.
Uma garrafa de vinho importada em cima da mesa, taças postas, o jantar exala o cheiro de quase pronto e no som toca um samba antigo daqueles que deixam saudade, melancolia. Um sentimento bom de vivência do agora, do profundo, do verdadeiro. O saber da vida e de aproveitá-la. Uma boa conversa. O lado vazio da mesa. A taça intocada ao lado. A garrafa vazia na mão. E o samba ainda tocando no som.
"Eu tenho saudade
Dos sambas de antigamente
Quando o samba deixava
Uma vaga tristeza
No peito da gente
Não era amargura
E nem desventura
E nem sofrimento
Era uma nostalgia
Era melancolia
Era um bom sentimento."
Paulo César Pinheiro
Dos sambas de antigamente
Quando o samba deixava
Uma vaga tristeza
No peito da gente
Não era amargura
E nem desventura
E nem sofrimento
Era uma nostalgia
Era melancolia
Era um bom sentimento."
Paulo César Pinheiro
sexta-feira, 5 de março de 2010
À procura daquele perfeito.
Os últimos 5 meses foram meses conturbados. Durante esse tempo vários passaram nas minhas mãos, nenhum que durasse tempo o suficiente pra poder falar que prestava. O primeiro era pequeno, franzino, com cara de quem deixa transparecer a fraqueza que tem, mas paguei pra ver e pra descobrir algum tempo depois que ele não satisfazia as minhas necessidades, exatamente pela fraqueza. O segundo, resolvi apostar num de tamanho mediano, que parecia mais seguro, não era muito chamativo por fora, mas beleza não era tão importante naquele momento. Esse também não durou muito tempo e então resolvi exagerar: o terceiro era enorme, forte, com braços compridos, por ter todo esse porte me dava mais trabalho que os outros, não era fácil lidar com ele, aquele jeito desengonçado, todo atrapalhado mas era resistente e achei que com ele meus problemas estavam resolvidos. Me senti mais segura, mais pronta pra enfrentar os problemas de todos os dias. Mas esse também foi embora me levando a crer que eu deveria começar a escolher melhor. A partir de então comecei a escolher não pela forma física, mas sim pelo material, pelo que se é feito, a essência. No começo, cometi um erro que me levou mais um: escolhi pela beleza, delicadeza e suavidade que fazia dele, um charme só. Mas era delicadeza demais e não durou muito tempo até que ele também desmoronasse. Venho desde então escolhendo diferentes jeitos e tamanhos tentando achar aquele que conseguirá ser meu parceiro por pelo menos mais que 2 semanas. O último que escolhi era totalmente o oposto, não chamava atenção, não tinha charme, mas tinha feições duras, simétricas, cor de chocolate. Transpassava segurança, as vezes parecia intocável, como se nada fosse desmoronar aquela rocha que parecia ser feito. Porém, após 2 dias intensos e cansativos Braga me levou mais um embora. Aquela força toda também desmoronou como todos os outros me deixando sozinha no momento em que mais precisava dele. Não Braga exatamente, mas esse vento inútil que não para de soprar trazendo essa chuva fria infernal, destruindo cada um deles, entortando cabos, hastes, não sobrando praticamente nada. Tô saindo mais uma vez pra comprar outro guarda-chuva novo. Não sei porque ainda insisto em usá-los.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Don´t try me.
Ela se arrumou, colocou aquele decote sedutor, um batom vermelho na boca, aquele salto, um perfume novo que ela só usa pra ocasiões especiais. Chegou na festa e as atenções eram só pra ela e ela sabia que hoje ela era desejada mais que em todas as outras noites. Aquele vestido não tinha sido colocado em vão. Mas todos aqueles olhares não faziam muita diferença. Era desejo, carne e sedução que ela insistia em não sucumbir. Ela tinha virado mais um produto colocado na prateleira principal de um mercado onde cada um compra aquele que mais lhe chamar a atenção. O problema é que ela não queria ser comprada, estava cansada de sempre ter que enfeitar a embalagem e esperar que alguém se interessasse pelo conteúdo. Ela olhou ao redor e a festa era o mesmo mercado de sempre, cada um fazendo a sua propaganda e, olha, era cada promoção de assustar: 50%, 60%, 70% off, Pague 1 leve 2, Aceitamos devolução se não contente com o resultado e até mesmo consignação. Mas ela não estava em promoção, nem sequer queria estar ali naquela prateleira empoeirada vendo sempre as mesmas pessoas, as mesmas coisas. Foi no banheiro, tirou o batom vermelho e a sombra do olho e foi embora, deixando pra trás aquela maré de gente dando lances uns nos outros e se perguntando quando foi que tudo isso parou de fazer sentido.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Simplicidade
"Daqui a dez minutos talvez eu enlouqueça"
Ana Carolina
Ana Carolina
Sabe, você passou a vida inteira procurando sempre algo mais, passou todos os minutos perseguindo objetivos que, ouso a dizer, sempre foram alcançados. Você agora estufa o peito e conta todas as suas conquistas, esbanja inteligencia e persistência, mostra a todos o quão longe é capaz de ir e sabe que qualquer obstáculo é pequeno demais pra você. Mas eu vejo daqui, eu consigo ver que tudo isso não é o bastante. Hoje está aí em cima e todos olham pra você de um jeito diferente, você conseguiu o respeito da sua família, conseguiu obter a admiração daqueles que duvidavam de você e o orgulho daqueles que sempre acreditaram que conseguiria. Mas depois de tudo isso não era suposto que o sorriso que agora vejo no seu rosto fosse menos melancólico? O que houve com aquele menino de sorriso mole, que conversava besteiras nas tardes de domingo jogado na rede da minha casa? O que aconteceu com toda aquela vontade de viver, de ter uma familia grande, de nos encontrarmos sempre, de nunca deixar o tempo levar embora a amizade? Não, isso não é cobrança, mas sinto que você não fala mais com tanta naturalidade como antes, não sinto aquela sinceridade no olhar e nas palavras. Lembra de como era fácil passarmos dias junto com as mesmas pessoas conversando horas e horas sem se cansar? Lembra de como era divertido passar os fins de semana sem fazer nada além de comer pipoca e ver filme? Hoje nós sentimos falta exatamente das mesmas coisas, das mesmas pessoas, das mesmas noites discutindo coisas sem sentido nenhum, mas que faziam a barriga doer de tanto rir. Mas acho que você teve que ir longe demais pra perceber que tudo que queria já estava aqui, bem na sua frente. Eu não tive a experiencia de vida que você teve, não vi tudo que você viu, não conheci tantas pessoas que você conheceu, nunca ganhei um prêmio, nem mesmo na escola, nunca fui o melhor em coisa alguma, mas e daí?? Você teve que percorrer quilômetros e mais quilômetros pra perceber que não havia mais no mundo do que a simplicidade que vivia.
E então agora? A simplicidade ainda está aqui de fora, ainda temos os mesmos sentimentos, as mesmas saudades, ainda somos capazes de nos encontrar e conversarmos como se todos os anos não tivessem passado e você sabe que isso nunca vai deixar de existir. E quando você vier, com aqueles brilho nos olhos e com aquele sorriso largo vai perceber que aqui nunca deixou e nem vai deixar de ser o seu lugar.
Assinar:
Postagens (Atom)