quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Que se danem os nós.

Quase nove da noite. Enfim em casa, fora daquele escritório chato. Apartamento fechado e abafado de um dia inteiro. Mel latindo atrás da porta quando escuta o barulho da chave. Banho, pijama de sapinhos, leite quente, cama, edredon e eu. Pensava enquanto girava a chave sentindo o enorme alívio de ter chegado em casa. Aquela casa que era tão minha e do tamanho exato. Há muito ela já tinha deixado de ser grande e vazia. Ele já não mais fazia falta.
Porta aberta e eu ali parada pensando se eu não estaria ficando meio louca. Se o dia de trabalho estressante não estava me fazendo delirar. Ele estava ali, sentado no meu sofá e me olhando com um sorriso na cara. Aquele sorriso debochado de quando acha graça de alguma coisa. Eu tinha esquecido que ele tinha as chaves. Aliás, eu tinha esquecido que aquela, um dia, tinha sido a casa dele também.
E eu esperei, ali com cara de espanto até ele me falar o por que estava ali sentado no meu sofá, tomando o meu suco. E escutei com a mesma cara de espanto ele dizer que queria voltar, que sentia muito, que sentia falta, que errou, que queria a nossa casa de novo, o nosso sofá de novo.
Mas que nosso? Durante meses eu sofri dentro desse apartamento me sentindo sozinha a dois, percebendo que não existiam nós, e sim eu e meu enooorme encanto pelas coisas. Durante meses depois que você foi embora eu me perdi aqui dentro, o caminho da sala pra cozinha me parecia tão grande, o ar aqui dentro era tão sufocante e as janelas abertas já não faziam diferença.
Mas agora esse apartamento é do tamanho exato pra mim e pequeno demais pra nós dois. A cama já não cabe mais o que somos agora quanto mais o que fomos um dia.
Não me venha com palavras fortes como vingança. Se for pra ser intenso, então usemos mudança. Não estou sendo cética, acredito no que me diz, mas é que eu já não sou mais a mesma pessoa entende?
Essa mudança tem a ver com tempo, pessoas e sentimentos tão diferentes do que eu já havia conhecido. Tem a ver também com ilusão, ou acordar dela. Tem a ver com descobrir como é ser realista sem ser infeliz, tem a ver com enxergar as coisas como elas são, em perceber a beleza da verdade. E a minha verdade hoje é essa: um cão, um apartamento decorado com almofadas verdes pra combinar com a parede, um pijama infantil, uma cama que não cabe sentimentos demais, não agora.
Tem a ver principalmente e acima de tudo com momentos. Os de agora são infinitamente diferentes dos que passamos juntos, o que não quer dizer que são melhores ou piores. A diferença é que eles passaram, se acabaram, foram embora junto com as nossas fotos e cartinhas de amor.
Agora vá, feche a porta e me deixe aqui de novo, antes que esse apartamento volte a ser grande e cinza outra vez. E não esqueça de deixar a chave. Esse apartamento não comportaria nós dois de novo.

8 comentários:

Rafael disse...

tenho que dizer alguma coisa?!

Adrielly Soares disse...

Ui. Tenho que dizer o que eu estou pensando? :O

Bom, eu AMEI o texto. E quero aprender a ser que nem ela, realista sem ser infeliz, não é gostoso? Enchergar a realidade fria e crua e ainda ser feliz? Maravilhoso.

=* teamosumidinha

Paola disse...

Ah, eu já passei por isso. Eu já vivi essa situação. Tudo acaba, você sofre, uma hora ou outra o sofrimento acaba também, então você se descobre, você se transforma. Pronto, você está realizada, ele vem, e bagunça a sua cabeça querendo voltar. Não, não. Eu mudei, agora eu sei o que eu quero, e principalmente o que eu NÃO quero. E eu não quero você.

Aah, escrevi um texto, não um comentário. haha.
Mas realmente esse é o tipo de situação que todo ser humano passa. Eu fico até envergonhada quando me lembro de como eu era ingênua.

Hoje eu estou muito melhor comigo mesma, e sei lidar beeeem melhor com as situações do meu relacionamento autal (:
No fim da história é "sofrendo" que agente cresce como pessoa :)

Insolente disse...

putz.

Anônimo disse...

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