Então você me liga, faz questão e me chama pra sair. Eu digo que sim, que seria ótimo. Logo em seguida me dá aquele desânimo, aquela preguiça. Era pra isso acontecer? Nunca tinha sentido tamanha preguiça por receber um convite assim.
Mas eu não poderia deixar de aceitar. Um metro e oitenta muito bem distribuídos na tonalidade moreno chocolate. E o perfume? Não. Eu não poderia recusar. Mas essa minha falta de empolgação me perturba.
Mas então depois de me chamar pra sair você desaparece. E isso me tira do sério! Agora eu quero você de qualquer jeito. Daquele meu jeito conhecido: desesperador, impaciente. Quero e quero agora! Por que você não liga? O meu desânimo desaparece e eu me acho estupidamente idiota.
O telefone está tocando agora! É você! Finalmente deu sinal de vida.
Desligo o telefone com aquela mesma preguiça de antes.
Paro pra pensar: algum de nós dois tem a mínima noção do que realmente quer?
sexta-feira, 15 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
"Foco no lugar vazio da mesa. A pessoa que não veio. Pior ainda: a que não existe. É ali que fico, sempre, apaixonada, doendo, esperando. O lugar vazio da mesa, da cama, do planeta. Minha sorte é um bilhete desses de raspar só que o segredo não sai com nada. Meu amor é a cadeira com pé quebrado que tiraram do salão antes que alguém se machucasse. Então me recuso a sentar em outras e vivo entre o cansaço e o medo de cair de mim mesma."
Tati Bernardi
Por que eu não conseguiria descrever melhor.
Tati Bernardi
Por que eu não conseguiria descrever melhor.
domingo, 3 de maio de 2009
Vulcão
Necessidade de falar, de me expressar, de cantar qualquer música que seja incômoda o bastante pra esse exato momento. Mas não há palavras o bastante, elas fogem, saem correndo dessa agonia, consigo até reter algumas mas elas insistem em entalar na garganta. E assim eu fico engasgada, entupida de tanta agonia e pouca expressão. Tenho aqui dentro um vulcão prestes a explodir, que vive em intensa atividade mas pouca demonstração de tamanha força. Um dia tudo isso sai daqui de dentro. Um dia o fogo consome tudo e todos ao redor até não restar nada, só a fumaça do que foi e também do que nunca chegou a ser.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Quem sabe um dia.
E então você abre a boca e pronto! Você falou a maior burrice da sua vida!
Você é capaz de dizer que mataria a sua mãe, que odeia quem você ama, que queria morrer, que não viveria sem aquela pessoa, que você não quer vê-la nunca mais na sua vida ou que a sua vida acabou. Que merda é essa? Por que é que eu tô falando essa bosta?
Mas aí então já foi. E se você mandou ele ir embora e ele simplesmente virou as costas, você sai correndo e diz que era mentira. Que não queria que ele fosse, que não sabe o que tinha na cabeça quando falou que não amava mais.
Mas o fato é que você já disse tudo aquilo que ele não suportaria escutar. Você já fez a maior cagada da sua vida e isso era tudo que você não precisava agora. Logo agora que você tava lutando tanto pra trazê-lo mais perto. Pra sentir que faz mais parte da vida dele. E você pede perdão, diz que foi da boca pra fora, que tava com raiva, bêbada, possuída. Mas e daí? Você disse, porra! Você abriu essa imensa torneira de asneira e falou demais, falou o que não sabia, o que não queria, o que não pensava e o que não sentia.
Talvez seja esse seu jeito de ser sabia? Antagônico, faz o que disse que não faria, não pensa nas coisas que faz. Não pensa nas coisas que faz. Não pensa. Não pensa.
Mas agora você está pensando. E tudo o que você mais queria era que ele realmente acreditasse que você estava sendo sincera agora. Que as suas palavras são inteiras coração.
Mas ele já virou as costas e você é orgulhosa demais pra se ajoelhar aos pés dele. Pede pra ele voltar, pede desculpas, perdão. Mas ele também mantém certa dose de orgulho, ainda que não tão grande quanto o seu. E então você engole aquilo à seco, vendo ele ir embora, parada ali sentindo cada passo dele construindo um enorme abismo irremediável e escutando ele dizer: "Vamos deixar as coisas como estão. Já falamos coisas demais. Quem sabe um dia..."
Você é capaz de dizer que mataria a sua mãe, que odeia quem você ama, que queria morrer, que não viveria sem aquela pessoa, que você não quer vê-la nunca mais na sua vida ou que a sua vida acabou. Que merda é essa? Por que é que eu tô falando essa bosta?
Mas aí então já foi. E se você mandou ele ir embora e ele simplesmente virou as costas, você sai correndo e diz que era mentira. Que não queria que ele fosse, que não sabe o que tinha na cabeça quando falou que não amava mais.
Mas o fato é que você já disse tudo aquilo que ele não suportaria escutar. Você já fez a maior cagada da sua vida e isso era tudo que você não precisava agora. Logo agora que você tava lutando tanto pra trazê-lo mais perto. Pra sentir que faz mais parte da vida dele. E você pede perdão, diz que foi da boca pra fora, que tava com raiva, bêbada, possuída. Mas e daí? Você disse, porra! Você abriu essa imensa torneira de asneira e falou demais, falou o que não sabia, o que não queria, o que não pensava e o que não sentia.
Talvez seja esse seu jeito de ser sabia? Antagônico, faz o que disse que não faria, não pensa nas coisas que faz. Não pensa nas coisas que faz. Não pensa. Não pensa.
Mas agora você está pensando. E tudo o que você mais queria era que ele realmente acreditasse que você estava sendo sincera agora. Que as suas palavras são inteiras coração.
Mas ele já virou as costas e você é orgulhosa demais pra se ajoelhar aos pés dele. Pede pra ele voltar, pede desculpas, perdão. Mas ele também mantém certa dose de orgulho, ainda que não tão grande quanto o seu. E então você engole aquilo à seco, vendo ele ir embora, parada ali sentindo cada passo dele construindo um enorme abismo irremediável e escutando ele dizer: "Vamos deixar as coisas como estão. Já falamos coisas demais. Quem sabe um dia..."
sexta-feira, 27 de março de 2009
Vontade
E você se sente estranha.
E você sabe exatamente por que você se sente estranha.
E você não quer admitir, por que admitir que é fraca pra si mesma já é uma tarefa difícil, quanto mais deixar isso visível pros outros.
E você então tenta fingir que tudo está normal, mas quanto mais finge, mais artificial fica.
E você começa a se sentir superficial, oca, rasa. Como se fosse inteira casca sem recheio, sentimentos sem intensidade, vontades sem fim.
Quando se sente inteira falta, as vontades começam a nos dilacerar.
Se começa a querer tantas coisas e a sentir tanta saudade, mesmo de coisas nunca vividas, nunca sentidas. É como se você soubesse quanta falta aquilo te faz, mesmo sem nunca ter experimentado. É como querer ser tudo ao mesmo tempo, querer sentir tudo, mesmo que tanto sentimento lhe transborde pelos olhos e ouvidos.
E que transborde sentimentos e que transpire paixões e saudades.
Se falta intensidade aqui dentro, sobra vontades aqui fora.
E você sabe exatamente por que você se sente estranha.
E você não quer admitir, por que admitir que é fraca pra si mesma já é uma tarefa difícil, quanto mais deixar isso visível pros outros.
E você então tenta fingir que tudo está normal, mas quanto mais finge, mais artificial fica.
E você começa a se sentir superficial, oca, rasa. Como se fosse inteira casca sem recheio, sentimentos sem intensidade, vontades sem fim.
Quando se sente inteira falta, as vontades começam a nos dilacerar.
Se começa a querer tantas coisas e a sentir tanta saudade, mesmo de coisas nunca vividas, nunca sentidas. É como se você soubesse quanta falta aquilo te faz, mesmo sem nunca ter experimentado. É como querer ser tudo ao mesmo tempo, querer sentir tudo, mesmo que tanto sentimento lhe transborde pelos olhos e ouvidos.
E que transborde sentimentos e que transpire paixões e saudades.
Se falta intensidade aqui dentro, sobra vontades aqui fora.
"E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi."
Legião Urbana
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi."
Legião Urbana
sexta-feira, 20 de março de 2009
Do português:
obcecado obsessionadj m
1. teimoso
2. insistente
3. que tem idéia fixa, obsessão
Do latim:
obsessão subst f
1. obsessĭo, -ōnis.
Do mundo:
Eu!
obcecado obsessionadj m
1. teimoso
2. insistente
3. que tem idéia fixa, obsessão
Do latim:
obsessão subst f
1. obsessĭo, -ōnis.
Do mundo:
Eu!
segunda-feira, 9 de março de 2009
Sempre mais.
Um dia me disseram que não se pode prender borboletas. Que elas são tão ligadas à liberdade que não suportam o confinamento e logo morrem. Mas nunca tinha entendido o propósito de se prender uma, não até agora. Pra mim as borboletas quando confinadas perdiam sua beleza, o charme da sua dança entre flores e raios de sol. Só que existem borboletas e borboletas, cada uma com sua cor, seu tamanho e seu bater de asas. Cada uma com o poder de enfraquecer o coração de qualquer desprevenido.
Confesso que nunca fui uma pessoa muito prevenida, nunca gostei de vestir muitas couraças. A nudez da alma é uma exposição pela qual se paga caro, não há muralhas para serem erguidas e o peso a se carregar é menor, mas essas mesmas muralhas são as que nos protegem, nos deixam menos vulneráveis. E foi exatamente pela falta dessas muralhas que uma coisa colorida, qualquer coisa entre o azul e o verde com detalhes pretos me jogou no chão, sem qualquer chance de defesa, muito menos de fuga.
Durante vários dias as horas passadas ali olhando aquele ser de quase 5 cm eram as melhores horas do dia. Era fascinante ver como as cores misteriosamente se fundiam dependendo do ritmo do bater de asas, ou do ângulo que os raios de sol incidiam, ou das flores em que ela estava. E então quando ela resolvia dar um presente maior do que a sua simples visita, ela me pousava na mão e ficava ali por alguns simples segundos. Mas era o bastante pra me fazer prender a respiração e querer quase evitar os batimentos do coração. E depois disso ela ia embora e me deixava ali, o coração disparado, a respiração ofegante. Quase como se tivesse corrido 10 km. Quase como se quisesse voar com ela.
Mas então chegou o dia em que somente as suas visitas já não eram o bastante. Era necessário mais do que somente ver aquela maravilhosa dança entre o meu jardim. Eu passei a querê-la pra mim, passei a desejar que ela somente existisse para o meu jardim e para o meu olhar. Passei ainda vários dias me lembrando do que me disseram um dia.
...não se pode prender borboletas. Elas são tão ligadas à liberdade que não suportam o confinamento e logo morrem.
Mas eu não me importava mais com isso. Eu queria que ela fosse só minha e pronto. Nem que fosse por um só dia. Um só dia com ela e eu a deixaria ir, sem ter que voltar mais ao meu jardim.
E então eu esperei. Esperei que ela viesse de novo pra mim, que pousasse na minha mão. E então a prendi. Tive o cuidado de preparar o melhor cativeiro que uma borboleta poderia estar. Era quase como uma aquário. Um aquário para borboletas.
E então cada minuto que ela esteve ali, existindo pra mim, batendo as asas pra mim, fazendo aquela dança que me hipnotizava, eu também existi pra ela. Eu também mantive meus olhos somente pra ela. E como pra contrariar o momento, as horas passaram mais depressa do que eu pude notar. Logo já tinha anoitecido e eu tinha prometido a mim mesma que iria soltá-la. Não queria que ela morresse. Isso seria ainda pior do que não vê-la mais.
E então a deixei ir. E ela voou, voou por entre a noite até que eu não pudesse mais enxergar.
Antes de prendê-la, cheguei a pensar que depois de tê-la pra mim por um dia inteiro, eu teria me satisfeito. Que eu acabaria com aquela obcessão que me consumia horas do dia. Mas o que eu não imaginava é que eu ficaria ainda mais obcessiva. Aquele dia inteiro passado com ela ali tinha me feito tão bem, tinha enchido a minha casa de uma felicidade e de uma paz que eu não via há muito tempo.
Agora eu penso em cada minuto naquelas 3 cores. Penso em cada instante como seria se ela aceitasse viver pra mim também, assim como agora eu vivo pra ela. E eu fico aqui, olhando da janela as flores do jardim. Vejo algumas vezes que ela ainda passa por ele, não se demora mas ainda sim se mistura às minhas tulipas brancas.
Fico aqui observando enquanto não descubro uma maneira de trazê-la pra mim.
De trazê-la pra sempre.
Confesso que nunca fui uma pessoa muito prevenida, nunca gostei de vestir muitas couraças. A nudez da alma é uma exposição pela qual se paga caro, não há muralhas para serem erguidas e o peso a se carregar é menor, mas essas mesmas muralhas são as que nos protegem, nos deixam menos vulneráveis. E foi exatamente pela falta dessas muralhas que uma coisa colorida, qualquer coisa entre o azul e o verde com detalhes pretos me jogou no chão, sem qualquer chance de defesa, muito menos de fuga.
Durante vários dias as horas passadas ali olhando aquele ser de quase 5 cm eram as melhores horas do dia. Era fascinante ver como as cores misteriosamente se fundiam dependendo do ritmo do bater de asas, ou do ângulo que os raios de sol incidiam, ou das flores em que ela estava. E então quando ela resolvia dar um presente maior do que a sua simples visita, ela me pousava na mão e ficava ali por alguns simples segundos. Mas era o bastante pra me fazer prender a respiração e querer quase evitar os batimentos do coração. E depois disso ela ia embora e me deixava ali, o coração disparado, a respiração ofegante. Quase como se tivesse corrido 10 km. Quase como se quisesse voar com ela.
Mas então chegou o dia em que somente as suas visitas já não eram o bastante. Era necessário mais do que somente ver aquela maravilhosa dança entre o meu jardim. Eu passei a querê-la pra mim, passei a desejar que ela somente existisse para o meu jardim e para o meu olhar. Passei ainda vários dias me lembrando do que me disseram um dia.
...não se pode prender borboletas. Elas são tão ligadas à liberdade que não suportam o confinamento e logo morrem.
Mas eu não me importava mais com isso. Eu queria que ela fosse só minha e pronto. Nem que fosse por um só dia. Um só dia com ela e eu a deixaria ir, sem ter que voltar mais ao meu jardim.
E então eu esperei. Esperei que ela viesse de novo pra mim, que pousasse na minha mão. E então a prendi. Tive o cuidado de preparar o melhor cativeiro que uma borboleta poderia estar. Era quase como uma aquário. Um aquário para borboletas.
E então cada minuto que ela esteve ali, existindo pra mim, batendo as asas pra mim, fazendo aquela dança que me hipnotizava, eu também existi pra ela. Eu também mantive meus olhos somente pra ela. E como pra contrariar o momento, as horas passaram mais depressa do que eu pude notar. Logo já tinha anoitecido e eu tinha prometido a mim mesma que iria soltá-la. Não queria que ela morresse. Isso seria ainda pior do que não vê-la mais.
E então a deixei ir. E ela voou, voou por entre a noite até que eu não pudesse mais enxergar.
Antes de prendê-la, cheguei a pensar que depois de tê-la pra mim por um dia inteiro, eu teria me satisfeito. Que eu acabaria com aquela obcessão que me consumia horas do dia. Mas o que eu não imaginava é que eu ficaria ainda mais obcessiva. Aquele dia inteiro passado com ela ali tinha me feito tão bem, tinha enchido a minha casa de uma felicidade e de uma paz que eu não via há muito tempo.
Agora eu penso em cada minuto naquelas 3 cores. Penso em cada instante como seria se ela aceitasse viver pra mim também, assim como agora eu vivo pra ela. E eu fico aqui, olhando da janela as flores do jardim. Vejo algumas vezes que ela ainda passa por ele, não se demora mas ainda sim se mistura às minhas tulipas brancas.
Fico aqui observando enquanto não descubro uma maneira de trazê-la pra mim.
De trazê-la pra sempre.
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