quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Desencontros

Faz dias que minha cabeça tá borbulhando de vontade de escrever qualquer coisa pra tirar esse nó que entalou na minha garganta, mas a cada vez que penso em começar alguma coisa é como se qualquer palavra fosse inútil o bastante pra me fazer desistir. E então suspiro fundo e fecho a página.
Não é que eu não saiba o que quero falar, mas é que o que tá aqui dentro me agonia demais. Sim, eu sempre disse que você era um louco confuso, mas a verdade é que nós não somos diferentes, eu também sou uma louca perdida no mundo que acorda a cada dia com uma vontade diferente. E você sempre foi e ainda é uma das minhas vontades loucas, assim como eu sou pra você também.
Só que nós nunca conseguimos nos entender ou sincronizar as nossas vontades, quando eu não te quero, você me olha com olhar doce e diz que gosta de mim, mas é só eu te querer e você sai correndo me deixando aqui com toda a minha intensidade transbordando poros a fora.
Nós somos dois perdidos nesse mundo de encontros e desencontros, só que o problema é que nós, nunca conseguimos nos encontrar de verdade.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Foco no lugar vazio da mesa. A pessoa que não veio. Pior ainda: a que não existe. É ali que fico, sempre, apaixonada, doendo, esperando. O lugar vazio da mesa, da cama, do planeta. Minha sorte é um bilhete desses de raspar só que o segredo não sai com nada. Meu amor é a cadeira com pé quebrado que tiraram do salão antes que alguém se machucasse. Então me recuso a sentar em outras e vivo entre o cansaço e o medo de cair de mim mesma."
Tati Bernardi

Por que eu não conseguiria descrever melhor.

sábado, 23 de outubro de 2010

Let it go!

Sem posts, sem palavras, sem inspiração.
Sem vontade de escrever sobre as mesmas coisas, OVER AND OVER AGAIN.

To cansada, to sem forças. Mas preciso achá-las em algum lugar. O caminho é longo e ficar parada já me consumiu tempo demais.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Agonia.

Se é certo que quem ama aceita os defeitos do outro, tenho que dizer: Não, eu definitivamente não te amo. Ouvi dizer que há uma linha tênue entre o amor e o ódio e quando se trata da minha impaciência com todos os seus defeitos posso afirmar que vivo pendendo de um lado pro outro dessa linha tênue, sempre me desequilibrando, sempre querendo cair pra um lado, mas sem nunca tomar nenhum partido.
Entenda, não é que eu queira te odiar (muito menos te amar), até porque nada disso é questão de querer, mas é que eu já não aguento mais ver você sofrendo sempre com os mesmos problemas, sempre nessa sua confusão interna de indecisões e mistérios. E esse sofrimento mudo é o que mais me incomoda porque eu gosto de quem se expressa, eu gosto de me expressar de todas as maneiras possíveis para que eu possa exteriorizar quem eu sou e o que eu espero das outras pessoas.
Você consegue sentir isso? Será que consegue sentir toda a pressão que eu coloco em você a cada vez que eu não consigo entender as suas ações injustificáveis? Será que é por isso que foge toda vez que eu te olho mais fundo? O que é que você esconde ai dentro? Do que é que tem tanto medo?
É incrível como você ainda me incomoda e, sinceramente, acho que ainda morro nessa agonia e com a esperança de um dia escutar de você a resposta pra todas essas perguntas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A hora.

Esses dias acordei e senti uma pontada no peito, uma fadiga, um medo. Deu vontade de chorar e de gritar. Deu vontade de sair correndo, de fugir pra qualquer lugar distante. Deu vontade de fazer algo novo, de conhecer algo novo. De sentir o frio na barriga do desconhecido. Deu vontade de ser mais.
É nesses dias que você resolve pintar o cabelo de vermelho e as unhas de amarelo fluorescente, que você põe a melhor roupa pra ir na esquina comprar pão, que você resolve beber pra não ter vergonha no outro dia. É nesses dias que você resolve largar aquele curso chato que tomava todo seu dinheiro à toa, que diz praquele chato do seu trabalho que as piadinhas dele são horrorosas.
Pra alguns a causa disso é TPM, stress ou loucura momentânea.
Mas é nesse momento que você sabe: é a vida batendo na sua porta e dizendo que você precisa agir. É toda a coragem necessária pra tudo aquilo que você promete a cada virada de ano: Mudança.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Inferno.

"E é isso. Agora é suspirar feito besta, meus celulares e e-mails e o ar voltam a ser objetos de tortura, sempre a espera da próxima vez que você vai me pedir que morda o violão pra escutar a música dentro do cérebro. E você desafinando e meu cérebro consertando tudo dentro da minha imaginação. Não é amor porque amor é mais do que essa escravidão estética. Não é paixão porque eu só me apaixono por quem eu quero destruir e eu só quero limpar com uma palhinha de ouro seu corpo num pedestal. Não é só tesão, porque eu passaria o resto da minha existência fazendo carinho nos cachos do seu cabelo e você com 18 metros de altura parecendo um menino. Não é nada dessas coisas todas que a gente separa numa caixinha da mente pra continuar arrumando o resto das gavetas da vida. Então o quê?"
(Tati Bernardi)

É o inferno!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Próximo.

O sol começava a bater forte na sua janela lhe avisando que mais um dia havia chegado. Havia tanto tempo que ela estava ali sentada que já perdera a noção do tempo. Não saberia nem dizer se esse era o primeiro nascer do sol que avistava depois em que se ajeitou naquela posição. De tempos em tempos ela adormecia e sonhava sempre com as mesmas coisas, então acordava ofegante e frustada a testa suando, o coração aos pulos, o estômago revirado. Abria os olhos e passava a contemplar de novo a paisagem, o movimento da praça que ficava em frente ao seu prédio. Nada diferente das coisas de sempre, crianças brincando e gritando de manhã, casais de idosos passeando pela tarde. Parecia que o mundo gozava do seu estado de espírito.
Ela queria olhar pra fora e ver um dia cinza e chuvoso, daqueles que causam tempestades e desastres, que deixam cidades no escuro, que assustam os mais amedrontados. Ela queria sentir tudo na pele, na mais absurda dor. Fazia horas que estava se perguntando as mesmas coisas, que tentava encaixar os mais absurdos acontecimentos tentando encontrar entre eles alguma ligação que pudesse lhe dizer o que havia de errado. Mas nada fazia sentido. Era fato, o destino resolvera brincar com a vida de alguém. A dela, infelizmente, era um círculo vicioso de problemas que sempre se revelavam os mesmos, por mais que fossem imperceptíveis no começo, passado um tempo era sempre a mesma coisa, a mesma dor, a mesma desculpa, o mesmo sofrimento, o mesmo sofá, a mesma janela, a mesma praça.
Ela queria ter forças pra sair lá fora a amaldiçoar o vento, a sorte, o amor e o destino. Ela queria correr e gritar aos quatro cantos a sua revolta e a sua dor. Mas forças era tudo que ela não tinha naquele momento. Talvez se ela lutasse um pouco mais, se seguisse aquelas lições que leu naqueles livros de auto-ajuda que sua mãe lhe dera e que estão empoeirando na prateleira. Faltava-lhe forças e lhe sobrava medo. Era um medo sem medidas de não suportar a dor de mais um fracasso, de ter que superar tudo de novo. Ela não suportaria.
O sol já estava baixo de novo, aquele casal de velhinhos da esquina passava de volta pra casa, sempre tão fofos. Talvez fosse melhor fechar os olhos e esperar o próximo nascer do sol.